Vida Zonza - (conto para adolescentes)

Imagem: ID - livre adaptação para uma foto de João Lourenço.


Look at my eyes and find yourself!

Cenas zonzas!

Pois então, hoje, enquanto voltava da universidade para casa, ainda estava me rindo do lance de bichos atropelados, tombos de moto e tal. Daí que disso, para engatar em outras lembranças foi um pulinho. Lembranças dessas; meio zonzas, que eu pude viver ao lado de grandes camaradungas, outras vezes sozinho. Muitas histórias certamente repetidas por e-mail, algumas outras já esquecidas e apagadas e outras “tão” vivas nessas minhas lembranças de Lebre Maluca que merecem uma nova reedição.
Não existe um rigor cronológico, apenas lembranças de cenas, músicas, pessoas, risos, estradas, lugares, fantasia e um pouco de humor negro pra dar o toque final.

Lembrança zonza número 1

Saideira, estrada quase vazia, acostamento, faróis desligados. No rádio toca-fita rolava, quero dizer, deveria estar rolando Jesus e Mary C. A verdade é que não se ouvia muita coisa, apenas um zóing-zóing-zóing incessante e dali a pouco o pára-brisa traseiro arrebentando e uma figura que apareceu não se sabe de onde, dentro do carro do filho do Tião, com a cara toda ensangüentada. Bah, maior cagaço! Um ficar de cara instantâneo.
Naquela noite de Domingo, no final dos 80, o chevetuvurs teve de ir pra casa meio de cantinho para não chamar a atenção!

Lembrança zonza número 2

Risadeiras, some friends reunidos perto de uma porteira. Não a porteira em direção a serra de São Chico, mas outra, acho que passando a ponte, depois do loteamento do Tito, rumo a Igrejinha.
Ao fundo eu vejo o Fafavy desmaiado, pendurado como um boneco de marionete, no arame-farpado de uma cerca. Ele balbucia qualquer coisa. O sorriso com um pouco de baba no canto da boca me faz pensar que está tudo bem.

Lembrança zonza número 3

Uma Saveiro branca de uma empresa de informática, um cara que dirigia não fazia muito tempo e seu brother, B e V. Estrada para São Francisco de Paula, noite. Sonzeira a mil, cantoria e onomatopéias ao mesmo tempo, fumaceira horrível dentro do carro, tosse, empapuçamento, cheirão.
E não se sabe, não se sabe até hoje, como aquela caranga perdeu o controle e saiu lavrando o matagal na beira da estrada. Pé nos freios. O carro pára seguido de um alívio imediato, adrenalina, corações batendo acelerado. Um pouco mais e teriam encontrado um pedrão enorme que estava no meio do caminho.

Lembrança zonza número 4

Cruzamento entre as ruas Júlio de Castilhos e Guilherme Lahm. O semáforo está com as luzes vermelha e verde ligadas ao mesmo tempo, atenção! Uma moto Yamaha modelo DT 180 com dois tripulantes resolve acelerar ainda mais ao invés de reduzir. Ou seria uma moto Agrale de cor branca e com detalhes em verde?

Lembrança zonza número 5

Boate do Grêmio Estudantil União, por volta da 1h de sábado, olhos esbugalhados, testa super suada, se mordendo todo e a noite não estava nem na metade.

Zonzeira 1

RS 020 madrugada de sábado para domingo, talvez de sexta para sábado, não sei ao certo. Mas me lembro de um Gol branco, do som rolando, talvez The Cure ou quem sabe New Order, e sim, de três figuras que já tinham chegado de Gramado trêbadas e deveriam estar no melhor do sono a mais de 1 hora. Pois não estavam.
Era véspera de eleição, escuridão total, mentes de caleidoscópio e cânhamo pós-álcool serrano. Alguém dizia à quase todo instante: - Não güentei!
Um Jeep se aproxima e pode se ver a silhueta de uma mão com um facão em riste. Faíscas reluzentes no asfalto quase vazio.

Zonzeira 2

Férias, final dos anos 80. Bar em Três Coroas, paradeira total, a ponto de alguém subir em cima da mesa e encostar o ouvido próximo a uma das caixas de som para conferir se a música do Deep Purple que rolava era cantado pelo Gillan ou pelo Coverdale.

Zonzeira 3

Caminhada noturna, quase volta para casa. Alguém se anima e chuta um saco abarrotado de dejetos recicláveis e orgânicos recém postos na lixeira. Um homem que acabara de fechar o portão para entrar no descanso do lar ainda tem tempo de ver o acontecimento tosco e não gosta nem um pouco daquilo.
Lixo esparramado sobre a calçada, homem gritando, correria, pessoas entrando no prédio das Lojas Colombo para se esconder, inconseqüências de uma juventude sônica que causava inveja. Nós, Os Brasinhas do Espaço, a turma da Caixa.
Sim sim, foi realmente por pouco.

Zonzos 1

E por falar em gatos almiscarados, leões baios e outros seres. Teve uma vez que B e V estavam rodando numa estradinha de chão, no interior de Taquara. Maior animação! E lá pelas tantas alguma coisa atravessou em frente ao carro para em seguida sumir dentro da mata iluminada pelos raios de sol que destacavam os tons de verde das folhas, em cujas sombras gnomos se escondiam para brincar. Rápido demais para os olhos e para os pensamentos lentos dos dois tripulantes. Esta uma coisa, esta aparição desnorteante lembrava um pequeno tigre, ou um gatãozão meio crescido, sei lá, um felídeo estranho.

Zonzos 2

Vitamina de banana, leite e cogumelos sagrados na companhia de Dibes, o Czar. Nas águas mansas descanso, mergulho e penso sobre nuvens coloridas e Cristos interiores. Em frente aos meus olhos há montanhas dançantes feitas de batiques indianos que se embalam ao som de Cocteau Twins. Elas estão longe e estão perto e têm um sorriso lindo e brilhante. À noite, as Crianças de pedra na sacada de um prédio antigo da Júlio de Castilho riem para mim. Sentimento de paz interior e plenitude, um estar em sintonia com a energia superior que habita todos os seres e não seres. O Uno e o infinito. Desculpem-me pelo flash back tardio!

Zonzos 3

Jazz, mais rock, mais MPB, mais uns goles de trago, mais porão, mais cigarros é igual a banho de piscina, mais Carmina Burana, mais correr só de cuecas no gramado da casa dos pais do outrem, mais toalhas esvoaçantes, mais votos de amor para a posteridade. Tudo isso e mais um pouco. Misturança das brabas.

Zonzos 4

Era pra ser bom, pra viajar sem compromisso. E tínhamos que parar justo em cima de um caminho de formigas cortadeiras que estavam em pleno trabalho. Bad trip, mordidas, paranóias e saída mais do que depressa do lugar. Baita comichão no corpo enquanto se comia um X-Burguer lá no Miro para saciar a fome que nos batia de açoite.

Zonzos 5

Depois de uma reunião na sede do PCACV, os caras da ID sairam para bandear e tirar fotos próximo às torres de alta tensão, em direção a Porto Alegre. Lá de cima, de longe, a cidade parecia ainda menor.

Zonzo e a fim de ir embora

Nada melhor do que pedradas discretas mato adentro para fazer estranhos barulhos, causar medão e provocar uma retirada em bando do lugar.

Zanzando meio zonzo por aí

Galeria Bento Gonçaves. Noites sós. Corredores escuros e frestas de portas que emanam luz fosca. Vozes que se ouve baixinho, intervalos comerciais, jornais, filmes, novelas e chiados. Em um dos apartamentos, gemidos femininos com cheiro de mofo e suor. Janelas de vidros quebrados podem causar ferimentos. Estranhos prazeres.

Zonzo in the air

Porto Alegre, Aeroporto Salgado Filho. Manhã bem cedo. Passei a noite no apê do Hugo na cidade baixa, correrio. Daqui a pouco estarei em São Paulo, alguém muito especial espera por mim. Ela é descendente de Finlandeses e tem um falar caipira que me encanta quando está contando suas histórias.
Ter conversado com o Paulo Adão antes de levantar vôo foi uma ótima idéia.

2 comentários:

aline disse...

oi Luciano!!!
cara...muito showwwwwwwwww este seu blog!!!
adorei de verdade!!!!
e estas histórias são muito tri tb!! vc se refere a quem c/ as letras B e V???? será que é o Bidu??!!! hehehheeh!!
velhos tempos estes de vcs...hehehe!
abração!!!
vou mandar um abraço pro fabião tb!!!

Carlos Esequiel disse...

e ai Luciano!!!
Após ler algumas histórias me veio a lembrança de uma tarde de outono, uma escada capenga e um por do sol no terraço de uma construção. Mais cinco minutos e talvez estivesse lá até hoje.
Abração e parabéns pelo blog, me trouxe boas lembranças.