Clara Crocodilo

São Paulo, 31 de dezembro de 1999. Falta pouco, pouco, muito pouco mesmo para o ano 2000 e você, ouvinte incauto, que no aconchego de seu lar, rodeado de seus familiares, desafortunadamente colocou este disco na vitrola, você que, agora, aguarda ansiosamente o espocar da champanha e o retinir das taças, você, inimigo mortal da angústia e do desespero, esteja preparado... o pesadelo começou. Sim, eu sei, você vai dizer que é sua imaginação, que você andou lendo muito gibi ultimamente, mas então porque suas mãos tremeram, tremeram, tremeram tanto, quando você acendeu aquele cigarro... e por que você ficou tão pálido de repente? Será tudo isto fruto da sua imaginação? Não, meu amigo, vá ao banheiro agora, antes que seja tarde demais, porque neste mero disco que você comprou num sebo, esteve aprisionado por mais de 20 anos, o perigoso marginal, o delinqüente, o facínora, o inimigo público número 1, Clara Crocodilo...
Pois então, assim começa a última música do álbum Clara Crocodilo. Que boas lembranças este "LP" de 1980, que eu conheci lá por 87, me traz. Muita curtição, no embalo proporcionado por Arrigo Barnabé e pela banda Sabor de Veneno. Músicas que conseguem ir do dodecafonismo a atonalidade, numa fronteira entre o erudito contemporâneo e o popular, que não incomodam, não enchem o saco e que ao contrário, deixam com vontade de escutá-las mais um pouquinho.

Um comentário:

Quinhos disse...

Claaara crocodilo sumiu!